O mercado de cartões projeta maior uso do débito e produtos mais competitivos no setor em 2018 com a inserção do novo “crediário”. A simplificação das faturas de cartões e uma regulação mais ativa no setor também são discutidas para impulsionar o segmento.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), Fernando Chacon, só no ano passado, o volume transacionado nos cartões de débito avançou 12,6% em relação a 2016 (de R$ 451,3 bilhões para R$ 508 bilhões) e a expectativa é de continuidade desse movimento.

“É um conjunto de soluções que o mercado trabalha com o regulador, em meio ao crédito mais competitivo. O maior uso do débito e o novo financiamento ao consumidor devem trazer um estímulo maior à economia”, disse.

Além da autorregulação lançada pela associação em janeiro último, aumentando o valor máximo aceito como transações de débito pelo setor de R$ 2 mil para R$ 5 mil, Chacon destaca a inclusão de um “crediário” em resposta ao parcelado sem juros oferecidos pelos lojistas e a formulação de regras mais sólidas e eficientes para simplificar as faturas de cartões, diminuir riscos e custos do mercado e regular subadquirentes no País.

“Também vamos começar a ver um volume cada vez maior de conta de pagamento e cartão pré-pago, principalmente nesse viés de massificação dos produtos”, opina. Para o novo produto semelhante ao crediário – com previsão de “sair do forno” em 2019 – a ideia seria trazer maior competição ao parcelado sem juros, com redução dos repasses aos lojistas para apenas cinco dias úteis e um “preço de financiamento ao consumidor muito competitivo”.

“Existe uma agenda de preparação, mas é mais um produto de financiamento ao consumo que o varejo vai poder oferecer com preços mais atrativos e possibilitando, inclusive, mais concorrência dos pequenos lojistas [que, na teoria, teriam funding para arcar com promoções melhores ante o menor prazo de recebimento]”, explica Chacon.

Já em relação à reformulação e simplificação das faturas de cartões, o diretor executivo da Abecs, Ricardo Vieira, pondera a dificuldade do sistema em trazer mais clareza e transparência ao consumidor.

“Cerca de 80% de toda a informação disponível nas faturas são para cumprir leis de alguma instância, ou federal ou estadual. São jabuticabas – que não existem no resto do mundo – e que deixam a fatura bastante confusa para o consumidor”, afirma o executivo.

“Por isso estamos conversando muito com o regulador para criar uma padronização nas faturas”, acrescenta Chacon, destacando que as discussões com o Banco Central [BC] também se expandem em relação às subadquirentes.

Orquestração

Ao mesmo tempo em que o mercado retoma discussões de melhoria do segmento e volta a colocar em pauta a proposta de formalização da economia iniciada em 2016 e que poderia aumentar de R$ 59 bilhões a R$ 65 bilhões a arrecadação federal em três anos, o andamento da agenda ainda preocupa o setor.

Segundo Rogério Panca, diretor de meios de pagamentos do Banco do Brasil, as previsões são positivas, mas os ambientes macroeconômicos, políticos e estruturais do Brasil ainda colocam as propostas à prova.

Fonte: ABRAS