Na operação, a empresa de investimentos da família de Abilio Diniz venderá parte dos 12% que detém no Carrefour Brasil

A maior supermercadista em faturamento do País, o Carrefour Brasil lançará ações em Bolsa nesta semana, na mais valiosa operação do tipo deste ano. O IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês) pode levantar até R$ 5,6 bilhões se as ações saírem no topo da faixa de referência de preço, fixada entre R$ 15 e R$ 19.

O dinheiro é captado no Brasil porque parte dele será usada pela filial brasileira para pagar dívidas com a matriz. O grupo global Carrefour já tem ações negociadas na Bolsa de Paris.

Há estimativas de que a demanda não deve ultrapassar três vezes o total da oferta. Quando a companhia aérea Azul estreou na Bolsa, em abril, encontrou investidores dispostos a comprar até cinco vezes a quantidade de ações oferecidas ao mercado. Uma das principais diferenças entre as duas operações é que, há três meses, o País dava sinais de estabilidade a investidores, com a promessa de uma aprovação rápida da reforma da Previdência.

Desde então, porém, o mercado – e a economia em geral – foi abalado pela crise política que balançou o governo Temer após a delação da JBS, em maio.

O início das negociações das ações do Carrefour Brasil na Bolsa ocorre na quinta (20/7). Nesta segunda (17/7) acabou o prazo para que investidores informem a quantidade de ações que pretendem comprar. O valor será conhecido até quarta-feira (19/7).

Para Evandro Pontes, professor do Insper, achar investidores interessados já é um feito porque o momento é de insegurança. “Eles tiraram leite de pedra em uma situação tão turva. Sob a comparação histórica, houve IPOs melhores, mas será que daria pra repetir?”

Na operação, a empresa de investimentos da família de Abilio Diniz venderá parte dos 12% que detém no Carrefour Brasil. “A venda das ações do Península pode ser um ponto de preocupação. Afinal, para um investimento de longo prazo, a Península entrou no capital do Carrefour só em 2014”, diz a consultoria Empiricus.

Fonte: Folha de S. Paulo