O volume de vendas do comércio restrito voltou a crescer em abril, na comparação anual, após 24 meses consecutivos de retração no indicador. A recuperação do setor, contudo, ainda é frágil e pode mudar com qualquer alteração do cenário político e econômico.

O crescimento no mês, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, foi de 1,9%, na comparação com abril do ano passado. Ainda assim, no acumulado de janeiro a abril, o ramo varejista segue no negativo, com recuo de 1,6%.

No conceito ampliado (que inclui veículos e material de construção), o ramo registrou queda de 0,4%, frente a abril de 2016, e também finalizou o mês com retração no acumulado deste ano, de 1,8%.

“O resultado de abril é um indício de que o varejo vem ensaiando uma recuperação e está associado à manutenção da inflação baixa, principalmente no setor de alimentação”, diz o economista sênior da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fabio Bentes.Influiu também no desempenho do mês, de acordo com ele, a liberação das contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Apesar do resultado positivo, que ficou acima da previsão de analistas do mercado, a recuperação do varejo ainda é frágil na visão de especialistas, e pode mudar com qualquer alteração no cenário político e econômico.

Segundo relatório do Banco Votorantim, elaborado pelos economistas Roberto Padovani e Carlos Lopes, “a recuperação das vendas ainda não está disseminada nos setores e a continuidade do ambiente de incertezas pode atrasar esse processo”. Dos 10 segmentos do varejo medidos na PMC só quatro subiram.

“O cenário está bem melhor do que em 2016 e 2015, mas os pilares que sustentam o crescimento são frágeis, e qualquer mudança no cenário político e econômico pode jogar os números para baixo”, corrobora o diretor de inteligência de mercado da consultoria GS&Inteligência, Eduardo Yamashita.

Por conta da fragilidade do quadro, o Banco Votorantim manteve a projeção de crescimento próximo de 0,5% para o ano, mesmo com o resultado do mês de abril. Já a CNC atualizou a previsão para uma alta de 1,4%, ante uma projeção anterior de 1,2% – que por sua vez já era uma revisão, frente ao número que a entidade vinha trabalhando desde o início do ano, de avanço de 1,5%.

A despeito da retomada ainda incerta, o diretor vogal do Instituto Brasileiro de Executivos do Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), Nuno Fouto, ressalta a importância do resultado de abril por representar uma reversão de cenário. “O crescimento já deve alterar, na minha opinião, a tendência de queda do setor. Não deve ser apenas um ponto um pouco melhor na curva.”

Por segmento

Boa parte do avanço de abril, na comparação anual, ocorreu pelo resultado dos hipermercados e supermercados, que cresceram 3,5% e que representam cerca de 30% de todo o setor varejista. Outros segmentos que avançaram foram: tecidos, vestuário e calçados (10,8%); materiais para escritório (4,5%); e artigos de uso pessoal e doméstico (3,4%).

Em relação ao desempenho frente a março, também houve alta no mês, de 1,0% no varejo restrito. No conceito ampliado, o crescimento foi de 1,5%. Assim como na comparação anual, os mesmo quatro ramos tiveram alta nas vendas.

Fonte: ABRAS