Em meio à crise política, os economistas do mercado financeiro alteraram, para pior, suas projeções para a atividade em 2017 e 2018. Pelo Relatório de Mercado Focus, a mediana para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano passou de 0,50% para 0,41%.

Para 2018, o mercado também mudou a previsão de alta do PIB, de 2,40% para 2,30%. Quatro semanas atrás, estava em 2,50%.

No início do mês, o IBGE informou que o País cresceu 1% no primeiro trimestre de 2017, ante o quarto trimestre de 2016. Por outro lado, recuou 0,4% ante o primeiro trimestre do ano passado

Em seus comunicados mais recentes, o Banco Central (BC) tem defendido que os indicadores permanecem compatíveis com a estabilização da economia no curto prazo. Porém, a instituição alerta que as incertezas com o andamento das reformas econômicas podem ter impacto negativo sobre a atividade.

Com este pessimismo e relação à economia e sob influência dos dados mais recentes da inflação brasileira, divulgados na sexta-feira passada (9), os economistas reduziram suas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste e no próximo ano. O Focus mostra que a mediana para o IPCA – o índice oficial de inflação – em 2017 foi de 3,90% para 3,71%. Já a projeção para o IPCA de 2018 foi de 4,40% para 4,37%.

Na prática, as projeções de mercado divulgadas na segunda no Focus indicam que a expectativa é de que a inflação fique abaixo do centro da meta, de 4,5%, em 2017 e 2018. A margem de tolerância para estes anos é de 1,5 ponto percentual (ou seja, inflação entre 3,0% e 6,0%).

Na última sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA de maio subiu 0,31%, bem menos do que apontava o próprio boletim Focus, cuja mediana projetada era de 0,44%. No ano, o IPCA acumula taxa de 1,42% e, em 12 meses, índice de 3,60%.

Estes resultados do IPCA – bastante favoráveis – fizeram alguns analistas citarem a possibilidade de o Banco Central, em seu próximo encontro de política monetária, em julho, ainda manter o ritmo de corte de 1 ponto percentual da Selic (a taxa básica de juros da economia).

Há duas semanas, quando reduziu a Selic de 11,25% para 10,25% ao ano, o BC sinalizou a intenção de reduzir o ritmo em seu próximo encontro, em função das incertezas quanto ao futuro das reformas econômicas.

A expectativa do mercado, segundo o Focus, é que a Selic este ano feche 8,5%, da mesma forma, essa é estimativa para 2018.

Fonte: ABRAS