Um dos maiores desafios de redes varejistas, especialmente quando se tem lojas espelhadas em diferentes regiões é fazer um bom design de cadeia de abastecimento para garantir que os produtos estejam sempre disponíveis para seus clientes, e mais do que isso, que a logística esteja alinhada a estratégia da organização, que pode ser mais focada na responsividade ou na eficiência em coerência com o grau de previsibilidade da demanda dos produtos.

Diferentes estratégias de cadeia de abastecimento podem ser aplicadas de acordo com a natureza do negócio e posicionamento de mercado, a Apple por exemplo, em 2013 já tinha mais de 415 lojas ao redor do mundo com vendas que ultrapassaram os 20 bilhões de dólares e sempre manteve estoque de seus produtos nas lojas. Outros players preferem trabalhar com e-commerce, fazendo produção just-in-time e entregando da fábrica direto para o cliente final.

A Zara, sendo o maior player da industria têxtil espanhola e um dos maiores do mundo no segmento, já vendia 16 bilhões de euros em mais de 6000 lojas em 86 países, sua estratégia é baseada em altíssima responsividade com preços competitivos.

O ciclo tradicional de desenvolvimento da indústria gira em torno de 6 meses, entre a criação de uma nova linha de produtos até chegar as lojas. A Zara desafiou esse padrão reduzindo de 6 meses para 6 semanas, introduzindo um novo design toda semana, e girando todo o seu estoque de exposição nas lojas a cada 4 semanas.

Com essa estratégia diferente da vasta maioria de seus concorrentes, a Zara consegue vender seus produtos com preço cheio, em vez de aplicar descontos nas coleções ultrapassadas de 6 meses atrás que ficam estagnadas nos estoques das lojas. Em 2012 a Zara já tinha 8 centros de distribuição na Espanha, com os quais conseguia distribuir para todas as suas lojas da Europa em até 36 horas e 48 horas para lojas da Ásia e das Américas.

Já a gigante americana de e-commerce Amazon que vende livros, músicas, eletrônicos, joias, brinquedos e muitos outros itens, em 2013 tinha 40 centros de distribuição nos Estados Unidos e mais 40 em outros países ao redor do globo, eles utilizam serviços terceiros como a UPS e a Fedex para realizar as entregas para os seus clientes.

A varejista Macy’s se destaca por ter sido pioneira ao criar uma experiência Omni-Channel para seus clientes, permitindo com que eles tenham uma experiência combinada e única comprando online ou em suas lojas físicas.

É possível ver um produto na loja, e depois fazer o pedido online, ou vice-versa, pedir online e retirar na loja, comprar online e devolver nas lojas, e muito mais. Leia nosso e-book grátis sobre tendências tecnológicas para entender mais sobre o que os varejistas estão explorando no Omni-Channel.

Com esses exemplos, podemos ver o quanto é importante que a cadeia de suprimentos de uma empresa esteja alinhada a sua estratégia, enquanto alguns focam em preços baixos, outros focam em alta responsividade, e outros em conveniência.

Se esse alinhamento estratégico não existir, as chances de sucesso de tornam remotas. Por exemplo, se uma empresa está divulgando que oferece uma vasta variedade de produtos com entrega rápida, enquanto na logística se está trabalhando com opções de baixo custo de transporte, que provavelmente vão gerar atrasos nas entregas, essa falta de alinhamento rapidamente vai gerar conflitos que resultarão em clientes frustados e insatisfeitos.

A Dell, por exemplo, se destacou na indústria de computadores por oferecer uma altíssimo nível de customização para seus clientes. É possível montar seu computador, combinando uma gama enorme de componentes com diferentes opções de configuração.

Para que isso fosse possível, eles precisaram quebrar o padrão da grande maioria da indústria de computadores que criaram seus processos de produção e cadeia de abastecimento para produzir e entregar grandes quantidades de produtos iguais que são produzidos em série e em grandes lotes.

Para um bom Design de Cadeia de Abastamento é importante compreender seus clientes e o nível de incerteza das demandas dos produtos que está produzindo ou comercializando.

Podemos contratar também, por exemplo, uma loja de conveniência como a Am/Pm, e um atacadista como o Sams Club, quando um cliente vai a Am/Pm para comprar um chocolate ou um refrigerante, provavelmente não está procurando pagar o menor preço, está com pressa e não quer perder tempo, agora quando vai ao atacadista, o objetivo é diferente, está disposto a comprar quantidades maiores para pagar menos e está disposto a passar mais tempo na loja.

A grande pergunta que os varejistas devem se fazer é: se a sua estratégia de abastecimento está condizente com seu posicionamento de mercado e estratégia.

Nosso foco é conveniência e serviços ou preços baixos? O mix é estável ou dinâmico? O mix de produtos está adequado, é grande ou mais restrito? Qual o nível de responsividade que vamos trabalhar?

É melhor manter grandes estoques nas lojas ou reduzir estoques locais e distribuir com mais frequência?
Há uma série de fatores em todos os processos e atividades envolvidos que afetam essa decisão. Esses processos e atividades que compõe a cadeia de abastecimento, podem ser estudados em três partes.

CRM: Gestão de Relacionamento com Clientes, que se refere à todos os processos que envolvem os seus clientes, tais como, Público, Pricing, Vendas, Call Center, Gestão de Pedidos, Rastreamento de Pedidos.

ISCM: Gestão de Cadeia de Abastecimento Interna, que se refere à todos os processos internos da empresa, tais como planejamento estratégico, planejamento de demanda, planejamento de abastecimento, centros de distribuição, gestão de depósitos e estoques, transferências.

SRM: Gestão de Relacionamento com Fornecedores, que se refere à todos os processos que envolvem seus fornecedores, tais como negociações, compras, linha de compra, colaboração do design da cadeia.

Fonte: Bluesoft