Para o comércio, os problemas são a queda ainda maior de fluxo

Se, por um lado, os feriados trazem alívio aos trabalhadores, para os empresários, as mesmas datas são vistas com preocupação. No caso de 2017, em específico, ainda mais. Isso porque, no ano que vem, praticamente todos os feriados caem em dias que seriam úteis, boa parte deles, aliás, em quintas-feiras, o que dá abertura para que as datas se transformem em feriadões.

Para o comércio, os problemas são a queda ainda maior de fluxo, essencial para a decisão de compra, enquanto a indústria reclama dos custos com equipamentos.

O prejuízo para a economia gaúcha, por dia, pode chegar a R$ 1,44 bilhão, segundo cálculos da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs). A conta leva em conta os dados do PIB dos municípios de 2013, elaborados pelo IBGE, corrigidos aos valores de 2015.

Levando em conta 11 feriados por ano, a entidade estima, anualmente, um prejuízo de R$ 15,9 bilhões. “Entretanto, não se leva em conta no cálculo os “feriadões”. O valor, na realidade, é muito maior”, defende o presidente da Fiergs, Heitor José Müller.

Feriados nas terças e quintas-feira, defende Müller, impactam a indústria, porque acabam obrigando alguns setores a fecharem também nos dias próximos. O presidente cita o exemplo de fundições, que dependem de fornos em temperaturas muito elevadas.

No caso de um feriado na quinta-feira, o custo de energia para ligar e desligar este tipo de equipamentos tornaria inviável retomar o trabalho na sexta para fechar, novamente, no sábado. “O custo em energia inviabiliza qualquer resultado positivo naquele dia (sexta). É mais barato não trabalhar. Torna-se, compulsoriamente, mais um feriado”, comenta o presidente.

Já para as entidades do varejo, para além do feriado em si, cada dia de descanso estendido pode fazer evaporar até 40% das vendas totais do setor, calculadas em torno de R$ 300 milhões por dia no Estado. O impacto acontece pela diminuição do fluxo de consumidores nas lojas, seja pelos que deixam as cidades, seja pela menor vontade de sair às ruas entre aqueles que não viajam.

“Quando há feriadão e o pessoal viaja, além de gastar fora, fica com menos recursos para gastar depois no comércio, é um dinheiro que deixa de circular no varejo”, comenta o presidente do Sindicato dos Lojistas de Porto Alegre (Sindilojas), Paulo Kruse.

Grande parte disso, na visão dos comerciantes, não é compensada nos outros dias. “Decisão de compra é impulso, é algo momentâneo. Sem tráfego, quebra-se o ritmo da venda”, acrescenta o presidente da Associação Gaúcha para o Desenvolvimento do Varejo (AGV), Vilson Noer.

O abalo é maior, segundo Noer, em produtos com tíquete médio até R$ 200,00, mais propensos a tomadas de decisões por impulso. Os varejistas argumentam que, mesmo tendo sido um ano fraco em vendas, 2016 foi bom no que se refere a feriados, já que grande parcela das datas caiu em quartas-feiras – impossibilitando os feriadões, portanto.

A boa notícia é que, no ano que vem, o carnaval será em 28 de fevereiro, data considerada ideal pelo comércio. “Assim, deixa fevereiro completo para as promoções de verão, e o mês de março, que é um dos mais aquecidos para o setor, também já começa cheio”, afirma Noer.

Uma possível solução, na visão tanto do setor varejista quanto do setor industrial, seria ter a possibilidade de flexibilizar as datas.

“O bom senso diz que fossem comemorados sempre no primeiro ou no último dia útil da semana, como países mais prudentes já fazem”, defende o vice-presidente da seção gaúcha da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq-RS), Hernane Cauduro. Outra alternativa seria, por meio de acordos coletivos, permitir que se trabalhasse no sábado para recuperar o dia “enforcado” nos feriadões.

Fonte: Jornal do Comércio